Adam-Lambert-The-Original-High-2015

Adam Lambert é daqueles que dispensam apresentações porque todo mundo conhece. Depois de rodar o mundo assumindo os vocais do Queen, 2015 foi o momento escolhido pra remexer na carreira solo (trocar a RCA pela Warner Music) parada desde 2012 com o single Trespassing.

É bem verdade que eu torci o nariz quando ouvi seu single de retorno, Ghost Town (Madonna impact?). Porém, depois de algumas faixas aqui e ali, e de ouvir o resto do álbum eu comecei a entender a estética do novo projeto, que não fugia muito do que eu pensava, mas ao mesmo tempo começava a fazer muito mais sentido. Num resumo, a gente pode dizer que o lounge mid-tempo de Ghost Town é refletido durante todo o material se transformando em um dos melhores álbuns que vamos ouvir em 2015.

Aqui é válido usar, mais uma vez, a descrição do próprio Lambert sobre o novo álbum e que também marca uma nova identidade no seu trabalho.

Foi produzido por Max Martin e Shellback e eles me ajudaram a manter um som muito coeso e toques de humor por toda parte. Sonoramente ele é mais contemporâneo do que o meu material anterior. É definitivamente pop, mas não é chiclete. […] uma vibe muito mais escura, e, ao mesmo tempo, que faz você dançar.

Aliás, essa vibe escura fica melhor e se encaixa perfeitamente no conceito visual do material, deixando tudo mais rico, mais rock e menos glam. Ponto mais que acertado para quem precisa se reformular num mundo pop totalmente diferente do que deixou há alguns anos.

É claro e público que o álbum que fala de relacionamentos (tanto as partes boas quanto as ruins) tem influências que vão de Katy Perry até Kiesza no uso synth pop dos anos noventa, tão presente nas composições do 1989 de Taylor Swift. Isso não é uma coincidência. O produtor Ali Payami (além de Taylor, aparece em projetos como Tove Lo e Ariana Grande) está presente nas composições de mais da metade do álbum, as melhores faixas na minha opinião.

Vale ressaltar que o falsetto de Lambert, que agora consegue controlar/equilibrar muito melhor sua voz do que nos álbuns anteriores, chegou próximo a perfeição em The Original High. Isso sem contar que TODAS background voices do material inédito são feitas por Lambert, tudo muito bem equalizado e transformado.

Falando das faixas em si bem rapidamente. Ghost Town bebe da fonte do deep house chegando a sonoridade Lounge que a gente já comentou. Coisas simples como estalar os dedos estão em pelo menos nas quatro primeiras faixas do material: A já citada Ghost Town e The Original High, Another Lonely Night e Underground. Essa última ainda apresenta um ruído bem leve e proposital que remete a gravações em vinil.

E ó… Nem só de lounge se faz um álbum original. E nem seria um álbum de Lambert se não tivesse uma balada tão boa como There I Said It. É foda, tocante, emocionante e Adam nem precisa gritar tanto para mostrar que sabe cantar. Digo sem culpa que essa é uma das preferidas ou, talvez, a predileta de todo álbum disputando o primeiro lugar com a também incrível Evil In The Night que se banha do disco, tendência mais que vista por nós em 2015 e que se repete em The Light.

Nunca deixaria passar essa review sem falar dos featurings. Ok, nem Rumors (parceria com Tove Lo) e nem Lucy (com Brian May, guitarrista/vocal do Queen) são grandes faixas. Porém as duas trazem um equilíbrio ao material que focava muito em Lambert.

As três últimas faixas infelizmente entram naquele limbo de produções descartáveis para encher um material que nem é tão grande assim (são apenas 11 faixas em sua versão Standard). Isso não quer dizer que Things I Didn’t Say, a já citada The Light e Heavy Fire são composições ruins. Elas cumprem o papel delas de serem composições que fecham o material de uma forma leve .

O resumo desse álbum se encontra justamente onde deveria, no título. The Original High é um pop desafiador, original.

Vai, comenta também! :)