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Dias depois de todo mundo comentar, recomentar e perder as contas com o recordes quebrados do novo single de Adele, o esperado 25 caiu na web. Eu bem corri para logo ouvir tudo que podia repetidas vezes e gastei boas horas ouvindo ele no repeat tentando absorver todo o diferencial apresentado, fato que é bem “visível” desde a primeira audição.

E sabe, se Rihanna está segurando o Anti durante tanto tempo, julgo eu que vai ser algo no mesmo nível do que Adele apresentou, justamente por ter esse tempo de incubação tão importante para artistas que dizem exatamente o que querem e não se vendem para álbuns anuais como a própria Rihanna já fez.

Eu precisei conversar com meus amigos do meio musical para encontrar uma palavra que conseguisse definir todo o material. Porém, até agora não sei se libertador é a palavra correta que pode definir o 25. Tudo porque apesar de ele ser perfeitamente encaixado, as faixas tem diferenças entre si. As vezes parece meio coral de igreja americana, as vezes (de uma forma repaginada) lembra as cantoras antigas que sua mãe ou sua vó ouvem.

É válido ressaltar que há uma diferença básica entre o 19/21 para 0 25. Essa diferença, além de amadurecimento, maternidade e afins chega até o problema vocal que Adele teve no passado e (depois da cirurgia) deu a ela uma voz mais aberta e por vezes mais rouca/raspada, o que colaborou para muito mais melismas e vibratos nas notas alcançadas.

Fato é que o novo álbum de Adele me deixou meio em transe em todas as repetidas vezes que eu o ouvi. Me trouxe uma calma e uma tranquilidade, algo como tirar um peso das costas, como se ela pudesse dizer pra alguém que ama tudo que estava agarrado, todos os seus medos. Transformar sua vida em um livro aberto e sem segredos que destruíam tanto sua alma como no 21.

Hello, que abre o material, mesmo que pareça um recado para outra pessoa, é pra mim um recado de Adele para ela mesma. Uma conexão do seu eu antigo para o seu novo eu. A “felicidade” que a gente consegue observar nesse mais recente álbum é como se tudo fosse uma compensação para todo o sofrimento do material anterior.

É um álbum sobre ela, puro, verdadeiro. Tipo aquelas reuniões de família que você tem vontade de fazer e jogar na cara de cada um todos os problemas pra ver se alguém acorda. Inclusive, esse é um bom simbolismo para o álbum. 25 soa como se Adele estivesse acordando de uma vida triste e depressiva. Apesar de te fazer chorar como no antecessor, 25 soa como um suspiro de alívio, transmite uma leveza.

Na análise mais técnica do material eu considero Send My Love como o único ponto fora da curva do material. Talvez explicado pela presença de Max Martin na produção e composição da faixa que traz um ótimo lembrete. Não é porque você é o produtor da moda que tudo que você faça seja majestoso. Inclusive continuo acreditando que Delirium, da também britânica Ellie Goulding, não é um masterpiece por colocar o mesmo produtor nas composições.

Sendo bem chato, e extremamente pessoal, acredito que qualquer material/álbum/single/faixa/bside criado por um artista no momento de depressão soe melhor e mais verdadeiro. Cria mais vínculo e identificação com o público. Mas, enfim, isso é assunto pra um post separado.

O time de compositores do novo álbum de Adele é algo que visivelmente não podemos colocar defeito. Aliás, a impressão que tenho é que qualquer coisa que Adele faça com Greg Kurstin ou Paul Epworth vai sair perto da perfeição. Vale ressaltar que até o dedo de Bruno Mars passou por este álbum, mais precisamente na faixa All I Ask. Para captar bastante a essência do mais recente material da britânica, destaco Sweetest Devotion, Water Under The Bridge e Remedy (composição com o também ótimo hitmaker Ryan Tedder).

Sem me estender demais, o resumo é que 25 não é tão triste como o 21, mas não deixa de ser profundo em suas composições e notas alcançadas por Adele. Apesar dos três álbuns da cantora serem recheados de hits, se precisasse escolher do “melhor” para o “pior” a ordem talvez fosse 21 – 25 – 19 no dia de hoje. Amanhã é outro dia e tudo poderia se inverter.

Adele, a senhora arrasou. Espere mais alguns anos e lance o 30. Esperarei ansioso!

Vai, comenta também! :)