rihanna-anti-album-cover

Talvez tenha sido a divulgação mais cagada que a industria fonográfica já presenciou de uma grande artista. Rihanna (e quando digo seu nome coloco também toda sua equipe) bem que tentou, desistiu, tentou de novo e desistiu e tentou e desistiu e tent… Mas finalmente tudo começou a mudar nessa semana quando os principais veículos já anunciavam que um novo single está encaminhado.

Tal música é Work, que a gente comentou bem rapidinho aqui e meu Deus, que montinho de bosta, né? É.. sim e não! Nessa review eu pelo menos tento explicar porque Rihanna fez mais um ótimo álbum e a espera valeu a pena. Desde ontem, quando o material vazou, eu venho colhendo opiniões das mais diversas pessoas e vejo que: Vocês só querem rebolar a bunda e no momento a Rihanna não quer isso.

Sei lá se ela passou por uma desilusão amorosa ou usou tanta maconha que ela tá numa vibe relax boa. Fato é que, para os meus ouvidos, ela atingiu tudo que queria. Um material totalmente conceitual, cheio de notas, tons e semitons que a gente não está acostumado a ouvir da boca dela. Se a gente pudesse escolher algumas palavras para definir o Anti: Cru, puro e pesado! é um material que jorra referências as vertentes mais alternativas do Pop/R&B.

Consideration abre o álbum com uma mistura de pouquíssimos sintetizadores com algum ritmo jamaicano e a vibe de pop/r&b de sempre presente nos trabalhos de Riri. Ela não chega sozinha, pra apresentar essa sua nova vertente Rihanna traz a cantora SZA para te ajudar. Logo em seguida, James Joint chega com seus poucos 1:12 de duração sendo praticamente um interlude mal colocado. Pode passar despercebido já que Kiss It Better grita pra ser single. Essa terceira faixa do álbum, que pode ser considerada a mais pop do material, é também uma das mais sexys. Nesse momento Rihanna apresenta a voz que todo mundo conhece e que pode render um clipe INCRÍVEL.

Aí a gente chega em Work, primeiro single oficial do Anti e que foi quase unanimamente massacrada nas redes sociais antes do álbum sair. Mas Aí você para e escuta o Anti na ordem e PAH, faz sentido, faz mais sentido do que você gostaria e ela passa a ser um pouco melhor apesar de ainda ser repetitiva e ter precisado de OITO compositores. São por esses motivos que logo ali no início da nossa review a gente disse que Work é e não é um montinho de bosta.

Desperado é a quinta faixa de um total de treze. Nessa altura você já percebeu que uptempo não foi a intenção de Rihanna nesse álbum, mas nem por isso você precisa gritar e espernear dizendo que o álbum está uma bosta. Não, nada está uma bosta. Na verdade Anti mostra, como já comentado, o lado mais alternativo da cantora que teve um time de compositores não tão pop como o de costume (A.k.a.Bibi Bourelly) e, por um momento, Kanye West como diretor. OK, pode ser que soe repetitivo.

O problema mesmo fica por conta de uma bagunçada identidade visual meio dividida entre os seus singles novos e antigos (que foram cortados da tracklist oficial e passam a integrar um limbo até o momento que alguém coloque eles numa versão especial. Não, eles não estarão na versão Deluxe porque ela conta com três faixas das quais a gente só conhece Goodnight Gotham, a antiga Only For A Night que leva sample de Florence + The Machine). Na real nenhuma das três faixas já lançadas caberia dentro do Anti e destoaria do conjunto. Apesar de ser uma decisão pouco comum, faz mais sentido assim.

Never Ending te lembra alguém com esse violãozinho? Pois é, a décima faixa do álbum tem o dedo da maravilhosa Dido e isso é claramente percebido para quem é mais atento e até um pouco mais velho que no mundo em que Dido era um sucesso ao lado de Eminem. Pra mim, James Joint devia entrar logo antes dessa faixa para abrir o final do disco com as melhores composições.

Quando chegamos em Love On The Brain a gente e respira porque claramente essa faixa e a sua seguinte, Higher, foram feitas para estarem juntinhas e são as melhores do álbum. A primeira é quase um sample de Paloma Faith, My Legs Are Weak. A segunda faz a gente voltar para os anos 30/40 como se estivéssemos num grande salão. Daria um maravilhoso vídeo. Aqui tudo é maravilhoso e irretocável. Com um ou outro ajuste essas duas composições poderiam ir para a britânica citada.

A grande sacada desse álbum, pra mim, está na voz da Rihanna. Necessário prestar atenção nela. É claro que muita gente esperou algo mais BBHMM, mas desde FourFiveSeconds (até então primeiro single oficial) a gente saberia que a vibe era outra e que tudo era muito mais conceitual do que a gente estava acostumado. É sim um álbum melodramático, sofrido, 21 da Adele. Mas, pra mim, ele só mostra uma identidade da Rihanna que num é só ser porra louca, tem um toque leve e de luz que me parece fazer muito sentido com o primeiro e o último vídeo da sua experiência AntiDiary.

Valeu a pena essa espera quase interminável? Ainda não sei. Mas desse álbum consigo retirar faixas inesquecíveis. Antes de terminar da uma olhadinha na tracklist oficial com direito ao nome de todos os compositores.

Tracklist:

  1. Consideration (feat. SZA) | Solana Rowe, Robyn Fenty & Tyran Donaldson
  2. James Joint  | Robert Shea Taylor, Robyn Fenty & James Fauntleroy
  3. Kiss It Better | Natalia Sinclair, John Glass, Robyn Fenty & Jeff Bhasker
  4. Work (feat. Drake) | Jahron Braithwaite, Matthew Samuels, Allen Ritter, Sevn Thomas, Aubrey Graham, Robyn Fenty, Monte Moir & R. Stephenson
  5. Desperado | Robyn Fenty, Mick Schultz, James Fauntleroy, Krystin “Rook Monroe”Watkins & D. Rachel
  6. Woo | Terius Nash, Robyn Fenty, J. Baptist, J. Webster, Abel Tesfaye, D. Rachel & Chauncey Hollis
  7. Needed Me | Dijon McFarlane, Lewis Hughes, T. Warbrick, Adam Feeney, Nick Audino, D. Rachel, B. Hazard, C. Hinshaw, Khaled Rohaim & Robyn Fenty
  8. Yeah, I Said It | J. Bourelly, Chris Godbey, Robyn Fenty, Badriia “Bibi” Bourelly, E. Barnes, Daniel Jones
    & Tim Mosley
  9. Same Ol’ Mistakes | Kevin Parker
  10. Never Ending | Robyn Fenty, Dido Armstrong, Paul Herman & Chad Sabo
  11. Love On the Brain | Alexander Angel, Fred Ball & Robyn Fenty
  12. Higher | Robyn Fenty, Ernest Dion Wilson, James Fauntleroy & Badriia “Bibi” Bourelly
  13. Close to You | Brian Kennedy Seals, Robyn Fenty & James Fauntleroy

Deluxe Edition (Disponível a partir de 29 de Janeiro)

  1. Goodnight Gotham | Robyn Fenty, Midas, Christian Keyon Jr. Boggs, Florence Welch & Paul Epworth
  2. Pose | Robyn Fenty, Badrilla Bourelly, Chauncey Hollis & Jacques Webster
  3. Sex With Me

 

Vai, comenta também! :)