Crescer não é como atualizar a sua marca. É como sobreviver a uma zona de guerra.

Tove Styrke é uma artista em ascensão, mas isso demorou para acontecer. A sua inusitada mistura de Robyn com September entrega um pop ao mesmo tempo alternativo e com toques de rock. Ela participou do Swedish Idol de 2009 e terminou em terceiro lugar. E foi a partir daí que sua carreira começou.

Seu som, do primeiro e homônimo álbum pra cá, só melhorou! Muito mais sintetizadores foram adicionados e o nível de suas produções subiu assustadoramente. Tudo isso entregou mais autotune no seu vocal e no álbum como um todo, o que não foi necessariamente ruim. A vibe eletrônica caiu muito bem ao projeto de reestruturação visual que ela enfrentou e isso é visível/audível tato pelo som quanto pela diferença das capas dos seus álbuns. Dá só uma olhada:

Untitled-1

Ain’t Got No abre o segundo álbum (primeiro para a América) da sueca com um pop bem mais rockzinho com guitarras e baixos bem marcados e leva isso por quase todo o material. Uma ótima forma de apresentar sua nova estética e marcar que ouve uma evolução do seu último trabalho. Snaren, segunda faixa do material, vem mais ou menos na métrica da primeira e entrega, dentro da sua produção, até alguns sons de desenho animado deixando o trabalho mais rico.

Ego, segundo single oficial do projeto (por motivos óbvios: a música é maravilhosa) carrega uma vibe pop da índia não tão festivo quanto se pode parecer. Aliás, esse ar “feliz porém triste” é característica desse novo material que também é perfeitamente colocada no vídeo da faixa, gravado em Tóquio como você vê abaixo.

Essa música pode ser praticamente sobre qualquer um que você se preocupa: um amigo, seus pais, um irmão ou alguém que você está em um relacionamento. Basicamente você se importa muito com essa pessoa em sua vida, mas ela está se afastando de você e se perdendo em seu próprio ego. É o sentimento de frustração que não há nada que você possa fazer sobre isso. Se você ouvir essa música é muito alegre,  mas significa frustração.

Separada de Ego apenas por Samurai BoyBorderline é primeiro single oficial de Kiddo e amor profundo e sincero. Bebendo da influência do reggae a faixa apresentou Tove ao mercado americano e não fez feio.

Nesse ponto já é bom dizer que as composições do disco não são feitas de rimas bobas. Snaren é um exemplo disso onde Tove onde toma pra si um trecho de Irreplaceable de Beyoncé. Borderline também toca no assunto feminismo de uma forma bem peculiar. Talvez seja por isso que a Spin deu a ela o título de A rainha do Pop Feminista. ;)

Nesse momento o álbum é interrompido. Deixamos os hits Mid e uptempo de lado para nos entregarmos a Who´s Got News, que mais uma vez fala sobre feminismo e abuso de poder. Essa é a faixa preferida de Styrke em todo o álbum por querer falar sobre esse assunto e por ser escrita em conjunto com uma amiga também sueca. Vale ouvir com atenção.

Voltamos a ser animados e agora citando até Britney Spears na letra de Number One, terceiro single do projeto da sueca de 22 anos que fala sobre ser o número um e como todos querem um pouquinho disso. A faixa é a mais pop chiclete do álbum e a que foge mais da curva pop proposta pela cantora.

Porém se é pra ser pop de verdade, que tal se jogar em Even If I’m Loud It Doesn’t Mean I’m Talking to You, algo que parece uma música da Meghan Trainor com a Avril Lavigne e um toque de eletropop? Soa meio bizarro falando assim, mas aconselho você dar o play aqui embaixo e curtir a faixa que foi buzz single.

A partir daqui a gente vai se despedindo com as quatro últimas faixas do álbum começando por Burn (Ellie Goulding impact rs…) seguida pelas fim de festa Decay, Walking a Line e Brag, que te joga numa japanese vibe pronta pra terminar o álbum da forma mais calma e tranquila possível.

Ok, Guilherme, mas onde raios entra a referências à Kill Bill? Deixo a própria Tove explicar:

É definitivamente um dos meus filmes favoritos. Eu gosto muito dessa personagem [Beatrix Kiddo, A Noiva]. Kill Bill foi uma influência de algumas das canções [do álbum], especialmente no início do processo criativo. Eu também tenho uma relação de amor e ódio com a palavra “kiddo”, que é algo que as pessoas dizem de uma maneira pejorativa.

O resumo desse turbilhão de referências é um material totalmente bem pensado e equilibrado apesar de ser aimado em sua maior parte. Enquanto você se diverte ao sons de grandes hits, Tove Styrke vai passando sua mensagem feminista misturada em referências de todas as partes do mundo. Ganhou meu coração e um lugar nos dez melhores álbuns de 2015, com toda certeza.

Curtiu? Quer ouvir inteirinho? Se joga no no play.

Vai, comenta também! :)